Daquela janela eu observava a cidade de Porto Alegre: uma igreja,
um puteiro. Prostitutas e crentes, drogados e policiais, o
antagonismo, sim, o eterno verso e reverso...Ela nua, me dizia pra
voltar pra cama. Será que ela não consegue ver a beleza do
confronto eterno? Os homenzinhos, as suas vidas e ambições, a
ilusão de que são alguma coisa num universo onde tudo termina e
recomeça...Daquela janela a fumaça do meu cigarro subia se
misturando no eterno éter, e eu pensava como momentos assim
são frágeis.
Como eu gostaria de nunca mais voltar...
