Me acordei já eram 7:15, atrasado de novo. O pessoal da cooperativa de cereais já estava perdendo a paciencia com minhas faltas, agora esse atraso seria a gota d'água.
Não gosto dos cereais, são tão secos e artificiais, mas com o preço que esta a comida de verdade é melhor aprender a gostar.
Me levantei da cama e como todos os dias dei uma olhada pela janela, realmente a vista do prédio não é digamos assim:um cartão postal. Mas é sempre um encentivo ver o sol, mesmo que seja sempre por entre a nuvem cinza de poluição.
Já na rua consultei o medidor de pureza do ar. Hum...nada bom. Coloquei minha máscara e consultei o relógio mais uma vez:7:40. Estava ferrado. Pelo caminho os pedintes aumentavam cada vez mais, e cada vez mais via familias revirando lixo. Com a escacez de água potavel também pude reparar na podridão das ruas, e também das pessoas. Da ultima vez o racionamento nos fez ficar quatro dias da semana sem o precioso liquido.
No ponto de ônibus o caos. É preciso disputar palmo a palmo os espaços, se não fico para trás. Quando em meio a uma briga para conseguir passagem até a porta da condução, ouvimos o som estridente de um raio...Todos se calaram e ficaram com semblantes de preocupação. Seria mais uma tempestade? A da ultima semana arrasou com a cidade, deixou estragos e vitimas por toda parte, e estavam ficando cada vez mais frequentes. Já estava dentro do ônibus expremido entre as outras pessoas quando junto com a chuva chegou a noticia: Devido a intensidade dos raios ultra violeta na região central do planeta(área próxima a linha do equador)as pessoas dessas áreas foram aconselhadas a abandonarem a região, causando um grande inpasse entre os países. Afinal as colheitas já não estavam dando conta da população atual, quanto mais de imigrantes, e por que não dizer:refugiados.
A movimentação de tropas nas fronteiras, segundo as noticias, havia se intensificado desde a noite anterior.
Bem, o que fazer se não continuar com a vida?
Do alto do viaduto, pela janela do ônibus todos podemos ver o ciclone...
"Como é linda a natureza, mesmo em sua ira."
Um pouco antes de sermos arremeçados no rio, eu pensei que era isso mesmo: o ser humano tinha ferrado com tudo, e a agora teria que pagar o preço.
A natureza e seu equilibrio, a simbiose das criaturas vivas, o ciclo da vida na terra. Como podemos ser tão negligentes? Será a passagem dos homens por esse planeta apenas parte desse ciclo? Seremos extintos, apenas fosséis no mundo das baratas.








