quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Fatalidade

Naquela manhã tudo acontecia normalmente. A velha senhora regava suas estimadas plantas, e eu, uma criança ainda, procurava alguma brincadeira que preenchesse minha monótona vida infantil...

Sob a luz do sol os seres humanos buscam a vida.

A despeito de quem somos nós, ou o que queremos e faremos, o planeta gira, e em fatos fora de nosso controle, tudo pode acontecer. Pois que nesse dia foi assim.

Em frente a minha casa um carro azul que eu nunca tinha visto. Um homem trajando um casaco também azul conversou com minha mãe, como que alguém que aciona algo, através de palavras minha mãe foi induzida a chorar.
Naquele dia as plantas da velha senhora da casa ao lado eram tristes, e contemplariam
por dias a minha tristeza, naquele dia meu pai morreu.

Com o passar dos dias aumentava a tristeza de minha mãe, em mim, apenas a incompreensão.
Deus não existe?

Nunca me dei conta de como algo pode ser tirado de nós, e de como a vida continua
de qualquer forma. Um emprego, um casamento, uma amizade, a juventude e o tempo...

Tudo em vão?

Eu nunca chorei pela morte de meu pai, era um estranho pra mim, mas sentia pena de
minha mãe e sua dor.

Com tudo, vieram outros dias. E com os olhos cheios de remela, no frescor suave duma
manhã de verão, vi numa maca a velha senhora, sem vida, com a boca sinistramente aberta...

Não havia ninguém pra chorar. E como em tudo que é fatal eu sabia: as plantas também vão morrer.

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