
Encostada na velha figueira Camila observava o vento movimentando seus galhos, que com o agito das folhas produzia um som sutil e secular: o som dos ventos da mudança.
"Quando soltamos a fera que existe em nós o mundo inteiro se torna nossa selva..."
Camila na sua eterna prisão de gelo, vivia no mundo como uma coadjuvante, guardava uma mágoa em seu coração de patinha feia.
Porem, precisamos dar vazão aos sentimentos, e mais cedo ou mais tarde isso vem a tona de alguma maneira.
Pois que lá estava ela, com poeira da estrada em seus sapatos, e o gosto salgado das próprias lágrimas em sua boca.
Camila achou a grande árvore dum resplendor magnifico, e chegou mesmo a compara-la aos homens.
A árvore: velha, sábia e serena...
-O que faço grande árvore?
Alguns galhos se agitaram a sua direita, pensou que talvez fosse algum sinal, mas logo se achou maluca mesmo por estar conversando com uma árvore.
"O que significa a felicidade?"
Olhou mais uma vez o horizonte, as planícies verdes se perdendo pelos confins do sul, nuvens brancas de leveza inspiradora e triste.
Tomou todos comprimidos de uma vez...Bebeu o vinho para descer de uma vez.
Pensou na mãe e nas irmãs, lembrou de quando era criança. Sentiu um peso na nuca e um nó na garganta, mergulhou na escuridão.

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