quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Na calada da madrugada
Na calada da madrugada, fui tocado pelo negro, e num dispertar maligno e repentino, olhei para o relógio de ponteiros pretos e irritantes:
3 da madrugada, a hora cabalística.
Por certo, esse desafio me foi proposto em sonho: atravessar as sombras e chegar a catedral gótica ileso.
...
Na calada da madrugada, se eu prestar bem atenção, quase posso ouvir o murmúrio de lamentação dos espirítos errantes...
E, se eu adormecer meus sentidos e parar meu diálogo interior, tenho certeza que em pouco tempo estarei flutuando em um sonho psicodélico...
Loucura são esses dias em que não pertencemos a nós, e essas madrugadas, verdadeiros tesouros perdidos, obra divina para a contemplação de um cético. Essa sim, maior prova da compaixão de deus.
E, eu? Apenas me rendo submisso à essa beleza misteriosa da madrugada, a coruja e ao grilo ressonante, aos gatos e seu olhar sinistro, ao firmamento e seu manto negro estendido por todo o sempre em espaço e tempo... Me rendo aos sono mau dormido em sonhos terriveis, com algozes de carapaça diferente, contudo, idênticos em sua essência.
Lá estava meu pensamento voando preguiçoso sobre a cidade, e com asas abertas, fortes e serenas, meu corpo de ave de rapina se deslocava por entre as correntes de ar. Sim, já podia ver: a catedral gótica.
Em meus sonhos não caminhei até a catedral gótica: voei.
Em realidade meus versos não foram lidos: foram vividos.
Na calada da madrugada...
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tava esperando a volta da poesia no teu blog. Na minha opnião, a poesia é a forma literaria em que tu consegue uma grande sofisticaçao. A prova é esse poema. A catedral gotica dos sonhos me lembrou aquele domo gigantesco da planice sem limites que os aprendizes de Dom Juam deveriam observar no seu último salto no livro porta para o infinito
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