
A noite acaba de cair, paradoxalmente minha mente começa a se iluminar. Sempre tive essa pré disposição para a vida noturna, para as horas silenciosas e solitárias. Não deve ser tão incomum quanto minha vaidade intelectual pensa. Como dizia o poeta "na madrugada há crimes, incestos e assassinatos". Bem, eu assassino a língua portuguesa.
Gosto de pensar que existem pessoas como eu, vivendo nas sombras, esperando o amanhecer para mais uma vez amaldiçoar a luz, e outra vez renascer no crepúsculo.
O que é a escuridão senão meu refúgio?
O que faz o poeta raquítico, curvado sobre manuscritos espalhados por todo quarto, senão amaldiçoar o dia?
E o que faz a mariposa se esconder de dia, e insanamente entrar na vertigem alucinada em volta de uma lâmpada de luz artificial?
O poeta bêbado da praça talvez um dia nos ensine como é estar na luz.

Nenhum comentário:
Postar um comentário