segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Era das sombras: prelúdio de uma revolução




O planeta terra como previsto pelos cientistas estava arruinado. Fato.
O aquecimento global aliado a falta de água doce motivaram guerras e migrações dos povos.

O caos reinava, e a sobrevivência era como em tempos remotos da história do homem: uma conquista dos bravos.

Porto Alegre estava sitiada, e sob domínio das forças da otam. Assim como todas cidades brasileiras que ainda tinham alguma reserva de água.
As forças de coalizam alegavam nos proteger da cobiça do oriente, pois lá, o petróleo já não valia mais nada, e sem ter como barganhar com o ocidente,todos desse lado do globo morriam aos milhares. Os ataques terroristas logo passaram a ofensivas militares . A guerra estava declarada.
E foi em meio a esse contexto apocalíptico que nosso herói surgiu.




A PARTIDA

A neve estava por tudo. Se não fosse pelo toque de recolher certamente todas as crianças estariam na rua fazendo bonecos. Roberto estava estático a mais de uma hora,
em sua frente Mariana estava morta. Achou que apesar de sem vida, a irmã caçula ainda era linda. Mas estava morta, tinha apenas sete anos. No quarto ao lado sua mãe e seu pai deitados na cama de casal haviam falecido a dois dias. Roberto não quis contar para Mariana, tinha que ser forte nessa hora.
Havia alguma coisa na água, foi o que disseram no rádio. Mas então por que ele não havia morrido?

Roberto sabia que não havia mais o que fazer, logo os soldados chegariam e o levarariam. Chorou até se engasgar com seus soluços.
Num ato muito espontâneo e sem objetivo definido saiu pela porta e pegou seu rumo. Apesar de não saber qual.
Era preciso ficar longe dos soldados americanos, tinha que reunir toda sua força de homem e prosseguir. Estava com oito anos nessa época.


Os Soldados

Jack achava o Brasil um país alegre apesar da desgraça toda que lhe afligia. Depois da missão para qual se dirigia ganharia suas merecidas férias. Não conseguia pensar em mais nada. Tinha uma mulher e uma filha lhe esperando, era tudo que importava.
Alguns rebeldes foram vistos pelo satélite. Estavam escondidos como ratos na mata. As guerrilhas nunca desistiam, eram mais uma encomodação do que um inimigo, as armas dos marines eram infinitamente superiores, eles não eram pário.
O local era chamado antigamente de "Três coroas". Hoje conhecido por zona 53.
Ao que parecia os guerrilheiros escondian-se em um antigo templo budista.


Jack era um homem inteligente, leitor de livros, viajado, grande apreciador de musica e armas antigas. Contudo, um soldado obedece ordens.
E lá estava ele, com ordens para neutralizar a área. "Neutralizar." Sim, isso significava matar todos. Saíram em grupos de quatro, cercariam a área e
provavelmente usariam gás, poderiam ainda calibrar suas miras atirando nos que se arriscassem a fugir.
Subiam o morro atráves de uma estrada estreita, a sondagem dos aviões não havia acusado atividade, a subida seria segura.
Então inesperadamente são advertidos pelo rádio de presença inimiga mais a frente.

Entre as ruínas do antigo templo estava o garoto.
Parado, inerte em posição de lótus.
A brisa gelada do inverno arrepiou a alma de Jack. Aquilo não podia ser real, simplesmente não fazia sentido nenhum!
Usou do seu melhor português:
_Calma garoto, está tudo bem agora, nós vamos te tirar daqui.
_Mas eu não quero ir embora, essa é minha casa.
_What?
_Aqui não é mais seguro, venha. ? Não há mais tempo a perder.

Ouve uma grande pausa acompanhada por um silêncio mortal...

_Shit!Who are you boy?



Brâmane, assim como uma flor de lótus azul, vermelha ou branca nasce nas águas, cresce e mantém-se sobre as águas
intocada por elas; eu também, que nasci no mundo e nele cresci, transcendi o mundo e vivo intocado por este.
Lembre-se de mim como aquele que é desperto.

Jack respirou fundo, concentrou-se para voltar a falar em português, aquele garoto não podia estragar tudo, não agora.

_Você virá comigo,será para sua segurança. Vê isso. É uma arma não letal, ela dispara um feixe de descarga elétrica leve, mas o suficiente para imobilizar um homem. Estou ajustando para um nível menor, pois você é uma criança. Garoto, nada disso será necessário, apenas levante-se e vá embora, não será necessário nem mesmo nos acompanhar. Então o que me diz?

Jack ficou a segurar a arma elétrica estupidamente em frente a criança, os outros soldados, mais atrás esperavam impacientes, por eles, tinham já era metido uma bala na cabeça daquele fedelho insolente.

O tempo se esgotou. Era preciso ser feito.
_Eu avisei garoto, isso vai doer só um pouquinho.

_Todos os seres vivos tremem diante da violência. Todos temem a morte, todos amam a vida. Projete você mesmo em todas as criaturas. Então, a quem você poderá ferir?
Que mal você poderá fazer?

O feixe elétrico da arma era azul. Tinha uma luz forte, mas concentrada, não iluminava bem.
Jack permaneceu por alguns instantes ainda em posição de disparo. Aquilo era insólito, ele era apenas uma criança, Jack rezava apenas para ele ter resistido a descarga elétrica, não seria a primeira vez que alguém viria a óbito daquela forma,mas dessa vez não podia ser, era apenas uma criança!


Impossível! O garoto permanecia no mesmo lugar como se nada tivesse acontecido.


_Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo. É esse mundo que você pensou para sua filha?
Um mundo onde um homem ataca uma criança? Por que?

Dizendo isso Roberto se levantou, era preciso ir embora. Mas não por causa dos soldados, simplesmente era a hora.

Jack ainda tentou ser racional:
_É um holograma!

Roberto olhou O capitão Jack White com compaixão, e lhe lançou uma flor que segurava.

_Um holograma não atira flores. Veja Jack, é uma flor de lótus. Elas com certeza não nascem por aqui, fiz essa especialmente para você.
Saiba que uma guerra se aproxima, e não é a guerra gananciosa que você vem travando com o mundo a anos. Será a guerra pela salvação da humanidade.
Jack, eu vim para cumprir com minha obrigação na evolução dos homens. E estou começando por você. Assim como eu, esteja desperto. Pois chegará a hora
de escolher de qual lado você vai ficar.


Roberto apenas andou e se foi, sumiu entre os escombros do que um dia foi o único templo budista tibetano da América do sul.
Jack ficou imóvel ainda por mais alguns instantes, como aquilo tudo era possível?
Sua reflexão é interrompida por alguém que o chama:
_Senhor,será que vão acreditar no nosso relatório se contarmos isso?
_É cabo, acho que não.

Antes de ir embora ainda deu uma boa olhada na flor, era realmente uma flor de lótus.

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